sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sentimentos trágicos para além do pessimismo  Eclesiastes 3.12-22
Ricardo Gondim
De tudo o que já vi e experimentei, chego à seguinte conclusão: o melhor da vida consiste em tentar encontrar alguma alegria nos instantes que partilhamos com os outros, e tocar a existência adiante sem tanta ansiedade. Da minha espiritualidade, restou uma convicção: o único presente que devemos esperar das mãos de Deus é paz para comer e beber perto dos que amamos – isso depois de ralar as mãos e os joelhos no trabalho. Tudo o que Deus faz dura para sempre, mas o que produzimos desaparece em nada. A impermanência da vida e do nosso labor deveria nos aterrorizar.
Não adianta, a história se repete e em cada repetição crescem as tragédias, uma superior a outra. Não só os poetas, todos sabem, inclusive Deus, que o passado tem força de reviver os piores monstros. O progresso linear da história é falso. A maldade esmaga os sonhos utópicos. Quando alguém antecipa um mundo justo, a maldade se assoma, arrasando os idealismos. Inconformado com o cenário macabro que os meus olhos contemplam no dia a dia, repito: a tarefa de humanizar-se continuará incompleta. Homens e mulheres, que se pretendem civilizados, não passam de predadores. Aliás, qual a diferença genética entre raposas e pessoas? Ambas partilharão do mesmo fim. O fôlego que anima tanto bicho como gente é temporário. O nada se sobrepõe à vida já que tudo está condenado a desvanecer. O vazio é a única realidade perene. Toda a vida não passa de um sopro ligeiro e pontual, em meio a um universo indiferente.
Os sepulcros mais bem ornados não escondem a crueldade de que a vida acaba em pó. Todos procedem do barro e ao barro tornarão. Quem sabe sobre o que acontece após a derradeira respiração? O princípio vital sobe, desce ou desaparece depois da morte? O ânimo que movimenta a vida difere entre racionais e irracionais?
Quanto sentimento trágico! Quanta angústia! Quanto mais eu penso, maior a convicção de que devemos aproveitar o instante, esse improvável momento em que um gesto, uma cena e uma palavra provocam algum sorriso em nossos lábios. No dia em que morrermos acabam-se todas as chances de testemunharmos o que sucederá depois da nossa partida – e isso é muito triste.
Soli Deo Gloria

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eu hoje!!!!

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APESAR DE TUDO ...SER FELIZ

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